Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Entrevista da directora da Residência de Estudantes da Guarda ao Jornal A Guarda

Entrevista pubicada pelo JORNAL A GUARDA na Edição de 05-08-2010: «Maria José Ferreira, Directora da Residência de Estudantes da Guarda “A Residência de Estudantes da Guarda, outrora Residência Calouste Gulbenkian foi de extrema importância para a região” A Guarda: Quem é Maria José Ferreira? Maria José Ferreira: Maria José é uma jovem de 48 anos, casada, mãe de duas lindas meninas que nasceu numa pequena, mas característica aldeia a 10 km da Guarda, chamada Avelãs de Ambom. Logo cedo os meus pais vendo a necessidade de uma educação global, colocaram-me no colégio – Casa Rainha do Mundo em Gouveia, onde cresci e comecei a edificar a minha personalidade. Mais tarde, um ano após o 25 de Abril, regressei à cidade da Guarda e continuei os meus estudos na Escola da Sé, antiga Escola Industrial e Comercial (com a organização curricular escolar, virada do avesso). Frequentei o Ensino Secundário no Liceu Nacional Afonso de Albuquerque, onde terminei com óptima média. No final desta etapa a minha vida tomaria um rumo diferente dos objectivos desejados pelo meu pai para mim. Enveredei pelo Magistério Primário, apesar de ter obtido uma média que me poderia levar mais alto, para outra área, não cedi aos caprichos do meu pai. Concluído o curso de Professora do 1º CEB, quis o destino que fosse leccionar na Telescola. Se o “bichinho” da Matemática já existia, neste momento despertou e levou-me aos bancos da escola onde me licenciei em Ciências da Natureza e Matemática. O gosto pelo saber é exponencial porque quanto mais sabemos, mais sabemos que nada sabemos e queremos aprender mais e mais. Nesta linha o Mestrado em Educação Ambiental foi mais uma fonte de enriquecimento e saber que coube na minha vida. A Guarda: Que ligação tem à Guarda? Maria José Ferreira: A ligação à Guarda vem desde muito cedo, das deslocações dos meus pais ao mercado, à feira, ao cumprimento das características visitas aos familiares, até à minha efectiva residência em casa particular no período de aulas. A vida estudantil na cidade após 1976 levou a que muitas raízes afectivas e culturais fossem criadas de tal forma que essas constituíram um marco para a fixação na cidade da Guarda, após o início da minha vida profissional. A Guarda: Qual a sua ocupação profissional? Maria José Ferreira: Licenciada, Mestre em Educação Ambiental na área Social, exerço as minhas funções profissionais principais na Escola Básica de Santa Clara onde lecciono no 2º CEB, Matemática e Ciências da Natureza e onde tenho colaborado com a Direcção Executiva em vários trabalhos de Coordenação da estrutura escolar. Paralelamente dirijo a Residência de Estudantes da Guarda e faço parte da Direcção da Associação para a Promoção Social Cultural e Ambiental de Avelãs de Ambom que tem múltiplos objectivos, sendo o principal a construção do Centro de Dia de Avelãs de Ambom. A Guarda: Como aparece a sua ligação à Residência de Estudantes da Guarda, outrora designada Residência de Estudantes Calouste Gulbenkian? Maria José Ferreira: A minha ligação à Residência vem do Professor Luís Figueiró, ex-director da Residência de Estudantes da Guarda, amigo, familiar e conterrâneo, que me incentivou a tomar o rumo do barco desta casa, numa fase de declínio da mesma. A Guarda: Qual é a realidade actual da Residência de Estudantes? Maria José Ferreira: Há quatro anos atrás quando iniciei o meu trabalho na Residência de Estudantes, esta Unidade Orgânica carecia de múltiplas e profundas obras de reestruturação de forma a criar condições fundamentais básicas de qualidade de vida para os jovens da sociedade actual. As primeiras diligências tomadas foram no sentido de estabelecer contactos e realizar negociações sistemáticas e persistentes com a DREC no sentido de elaborar/aprovar vários projectos que passaram pela colocação de caixilharia nova nas portas e janelas, persianas térmicas, instalação de aquecimento central e águas quentes, remodelação/modernização da cozinha e casas de banho, limpeza do telhado e pintura do interior e exterior. A Guarda: Quantos alunos, e de que escolaridade, frequentaram a instituição no último ano lectivo? Maria José Ferreira: A população que tem frequentado a Residência de Estudantes é muito heterogénea, sendo constituída por rapazes e raparigas que frequentaram o 2º e 3º CEB, o Ensino Secundário e de forma predominante o Ensino Profissional – a Ensiguarda. Além de heterogénea é muito variável, iniciando-se o ano escolar com um número elevado de alunos (por vezes havendo lista de espera), que decresce decorridos os primeiros meses de aulas. Esta variação é reflexo da dificuldade em interiorizar e cumprir regras estipuladas no Regulamento Interno e da educação demasiado liberal hoje ministrada pelos pais que permitem que os seus filhos menores deixem a Residência para se instalarem em quarto individual sem qualquer controlo, no meio citadino. No entanto hoje o número global de alunos (rapazes e raparigas) na Residência ronda os 60. A Guarda: A transformação em residência mista obrigou a grandes obras de adaptação? Maria José Ferreira: A transformação em residência mista já estava implantada quando eu iniciei a Coordenação desta Unidade Orgânica, no entanto dada a estrutura física da casa não houve necessidade de realizar obras de adaptação. Todos os espaços comuns são partilhados pelos rapazes e pelas raparigas em sã camaradagem, alegre convivência e aprendizagem. O único espaço que é privado/privativo e interdito ao sexo oposto são os pisos onde se situam os dormitórios específicos de cada género. A Guarda: Quem procura a instituição? Maria José Ferreira: A Residência é procurada por uma sociedade muito diversificada, desde o agricultor, ao professor, ao profissional liberal, às Instituições de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, no entanto actualmente a população predominante, oriunda dos mais variados estra tos sociais, frequenta o Ensino Profissional – a Ensiguarda. A Guarda: Como é que os interessados podem ter acesso à Residência de Estudantes? Maria José Ferreira: Qualquer cidadão pode ter acesso à Residência de Estudantes da Guarda, deslocando-se ao local, que se situa na Avenida Dr.ª Maria Luísa Godinho N.º 2 (junto à entrada para a Torre de Menagem), no período da 9.00 horas/17.30 horas, ou ligar através do telefone 271-211277 ou do Fax 271-225278. Para se candidatar ao alojamento, basta preencher uma ficha que se encontra na secretaria da Residência durante os meses de Junho e Julho e aguardar o resultado da selecção. Ao longo do ano, poderão aceitar-se inscrições, desde que a Residência apresente vagas. A Guarda: Quais são as principais necessidades da instituição que dirige? Maria José Ferreira: Continua ainda a haver necessidades ao nível de restauro/remodelação de alguns espaços interiores. Na zona envolvente é imprescindível melhorar toda a área verde, desde a colocação de nova relva, ao corte e limpeza dos patamares dos pinheiros, ao plantio de canteiros de flores, mas não dispondo de funcionários com formação nesta área, existe a necessidade de empreender um protocolo com a Câmara Municipal da Guarda. Dada a mudança rápida e contínua da sociedade de hoje, factor que se reflecte no comportamento e atitudes dos nossos jovens, a formação para as Assistentes Operacionais e para os Técnicos Operacionais é uma necessidade básica a nível humano. Formação ao nível das Relações Interpessoais, da Orientação para o Serviço Público, do Planeamento e Organização, da Aquisição de Conhecimentos Especializados entre outras. A Guarda: Qual a importância que a Residência teve para a região, desde a sua abertura? Maria José Ferreira: A Residência de Estudantes da Guarda, outrora Residência Calouste Gulbenkian foi de extrema importância para a região num tempo cronológico em que o Ensino Secundário só existia na cidade da Guarda, a nível distrital, e que os transportes eram pouquíssimos e em muitas aldeias nem sequer existiam. Permitiu e assegurou condições de acesso à escola, à formação e à educação de múltiplos jovens que sem esta instituição, hoje não seriam grandes homens, não teriam caminhado no mundo académico e não seriam hoje cidadãos conscientes e responsáveis que se têm destacado na vida pública da região e mesmo a nível nacional. A Guarda: O que pensa do 1º Encontro dos antigos alunos da Residência de Estudantes Calouste Gulbenkian realizado no dia 19 de Junho? Maria José Ferreira: Realizar um primeiro encontro de antigos alunos que se alojaram numa Residência que foi construída acerca de 36 anos, penso que é fundamental, para voltar às raízes e ver com os próprios olhos os espaços onde cada um viveu e construiu a sua infância, a sua adolescência, o seu “eu”. Observar, tactear e passear pela Residência de hoje e lembrar a Residência do passado. Relembrar e viajar ao passado, com os colegas as brincadeiras e os momentos vividos em cada um daqueles espaços. Recordar as traquinices e actos “traiçoeiros”, praticados aos Ecónomos e Director nos momentos de uma vigilância menos cuidada. Reflectir sobre a importância da Residência, para cada um que por ali passou e mostrar aos filhos ali presentes o espaço que contribuiu para a formação e construção global da personalidade. Comparar a Residência de hoje com a Residência do passado. O que era e o que é? Como estava? E como está? Reencontrar colegas que há muitos anos não revia e recordar os tempos vividos.» ///FIM. LER entrevista em www.jornalaguarda.com
publicado por texanosdaguarda às 17:20
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